Não é de hoje a preocupação do ser humano com a natureza. Desde os primórdios da civilização, Ela foi venerada e seus recursos usados de forma não menos que brilhante. Os índios e nativos, nossos ancestrais, temiam os espíritos e os deuses que viviam entre as árvores e os mares.

Mas é um assunto delicado, que tomou uma importância gigantesca mais recentemente, quer dizer, nas últimos 2 ou 3 séculos, devido à exploração do neocolonialismo, das duas Revoluções Industriais, das descobertas de espécies, enfim, muitos outros temas de entornos globais. Fomos e ainda somos alertados por ambientalistas, que vêm na onda do Al Gore, após o sucesso e o impacto de ”Uma verdade inconveniente”, que lhe rendeu um Oscar e uma campanha vitoriosa ao lado de Barack Obama. 

Al Gore é um herói do século 21. Sem dúvida. Ele encarou a paranóica e conservadora sociedade americana (após uma derrota polêmica nas eleições), e disse “A culpa é nossa”, com todos os fatos e dados possíveis para confirmar a frase. Brilhante. Nos EUA, foi ridicularizado, e recebeu acusações de estar fazendo lobby e que estaria forçando sua volta a política. No resto do mundo, um gênio, um visionário, o Homem que esclareceu um cenário amplo em um único filme (bem simples por sinal), e ganhou um Nobel. (O mundo ensinou aos EUA que os filmes existem para serem assistidos, não para seus assuntos serem adivinhados…) A campanha dele continua até hoje.

Mas o que realmente me chamou a atenção nesses tempos (e deveria chamar a sua também) é um poema de 1798, escrito pelo inglês Samuel Taylor Coleridge, onde ele trata o assunto de forma brilhante. “Rime of the ancient Mariner”, ou “A balada do velho Marinheiro” é uma das melhores definições de como devemos nos conscientizar com a questão ambiental. E foi gravada pelo Iron Maiden. Vamos à ela.

A história começa em um casamento, onde um velho começa a contar sua história aos convidados, que logo se fascinam com as palavras dele. Conta que ainda jovem, numa certa viajem, o navio que tripulava tem seu curso desviado para a Antártica por uma tempestade, e muita névoa. Um albatroz os guia para fora do nevoeiro, e ganha o carinho dos tripulantes.

Mas o marinheiro atira e mata a ave, causando a ira dos companheiros. Que mudam de opinião quando o clima fica ameno e o mar se acalma. Mas já era tarde, a ira dos espíritos antigos fora despertada, e a embarcação é perseguida, levada a calmaria pelos ventos que a tiraram do nevoeiro. O navio está cercado de água, mas os tripulantes estão sem uma gota para beber, até que avistam outra embarcação.

Nela, a “Morte” (um esqueleto), e a “Vida na Morte” (um cadáver de uma mulher) jogam dados pelos tripulantes. A Morte ganha a tripulação, e a Vida na Morte ganha o Marinheiro (considerado por ela mais valioso), que vê um a um caírem mortos os colegas, com a maldição em seus olhos. Após sete dias e sete noites sozinho no navio, o marinho se retrata e reza pelo albatroz. A maldição se quebra (no poema ’o albatroz cai de seu pescoço’), e os espíritos da tripulação guiam o barco de volta, que naufraga em um redemoinho antes de chegar. Um eremita e seu filho avistam o marinheiro ao mar e o resgatam.

Como pena por ter matado o albatroz, o Marinheiro é forçado a contar a sua história por onde ele passar, e transmitir a lição a quem cruzar o seu caminho.

Agora eu pergunto: Será que nós estamos com o Albatroz em nossa mira?

O Albatroz-errante

O Albatroz-errante